Lideranças da Arco Educação compartilham estratégias para unir gestão escolar, retenção de alunos, tecnologia e relacionamento com famílias em um cenário educacional cada vez mais complexo.
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Diante de um cenário em que as escolas precisam conciliar excelência pedagógica com sustentabilidade financeira, a gestão educacional exige cada vez mais uma visão integrada.
Como equilibrar a missão de educar com a responsabilidade de gerir uma empresa?
Na Bett Brasil 2026, o diretor de sucesso educacional da Arco Educação, Lucas Faleiros, conversou com Idelfranio Moreira, diretor de ensino e inovações da Arco Educação, sobre os desafios que vêm transformando a rotina das escolas brasileiras e a importância de alinhar estratégia pedagógica e gestão financeira para garantir crescimento sustentável.
Ao longo da conversa, Idelfranio trouxe reflexões práticas sobre liderança escolar, retenção de alunos, tecnologia, relação com famílias e o papel da escola nesse cenário cada vez mais complexo.
Confira a seguir!
Idelfranio Moreira: Uma coisa é a missão de educar. Outra coisa é a responsabilidade de manter o negócio. Muitas vezes isso é desafiador porque nós somos pedagógicos e parece que são duas coisas desconexas. Mas foi-se o tempo que pedagógico e negócio eram separados.
O professor realiza a missão de educar dentro da sala de aula. Mas, para estar ali, ele precisa ser um profissional da escola. E a escola também precisa se sustentar enquanto negócio para continuar entregando aquilo que ela faz de melhor, que é educar.
Idelfranio Moreira: A primeira coisa é entender que cada escola é uma escola. Não existe receita pronta. Às vezes, a gente chega a uma escola achando que o problema está em um lugar e descobre que está em outro completamente diferente.
Quanto mais difícil é a situação, mais as pessoas precisam sentar e conversar. O que não funciona é o pedagógico se fechar de um lado e o administrativo do outro. Já vivi situações muito complexas. Às vezes, a decisão parece óbvia olhando só para números, mas existe história, cultura, emoção e relações humanas envolvidas. Por isso, o diagnóstico é tão importante.
Idelfranio Moreira: Hoje é muito difícil encontrar um problema em uma escola que pertença apenas a uma área. As coisas estão completamente conectadas.
Eu vivi uma situação em que a escola tinha baixíssima compra de material didático. Quando fomos investigar, descobrimos que os professores praticamente não usavam o material em sala. O aluno não reclamava, mas o pai percebia que o livro passava o ano inteiro embalado.
Existe uma desconexão entre pedagógico e administrativo que às vezes não aparece de imediato. Mas ela impacta diretamente na retenção, percepção de valor e sustentabilidade da escola.
Idelfranio Moreira: A primeira pergunta que a escola precisa responder é: o que é essencial e inegociável para nós?
Nós não abrimos mão da educação de excelência que queremos entregar, dos valores que queremos formar e da maneira como queremos conduzir a formação desses cidadãos.
A pandemia mostrou isso para a gente. Mesmo em condições extremamente difíceis, existia uma pergunta central: o que não podemos deixar de entregar para nossas famílias?
Idelfranio Moreira: Hoje a gente precisa explicar para as pessoas por que se vai à escola. As famílias e os alunos começam a acreditar que, com IA e tecnologia, estudar talvez não seja tão necessário. Mas isso está errado.
A habilidade de hoje para o futuro é pensamento crítico. E como é que eu vou formar pensamento crítico se esse aluno não está lendo, não está escrevendo e está terceirizando tudo para a IA?
Hoje a gente sabe que estudar não pode ser acumular conteúdo para passar em prova. Estudar é formar conexões neurais, desenvolver repertório, capacidade de pensar e aprender. E os pais também precisam entender isso, para não ficarem apenas com a referência de escola que tiveram quando eram alunos e não conseguirem enxergar o valor da escola hoje!
Idelfranio Moreira: A melhor propaganda continua sendo o boca a boca. Antes de pensar em captar novos alunos, a escola precisa reter os alunos que já tem. Essa é uma regra de ouro sempre válida.
E o maior valor que a escola pode demonstrar hoje, na minha experiência — antes dirigindo uma escola e, hoje, atuando em escolas por todo o Brasil —, é que ela entende de criança, de adolescente e de educação. Quando a família percebe isso, gera confiança no trabalho daquela escola. As escolas que conseguiram construir proximidade real com as famílias atravessam momentos difíceis muito melhor.
Idelfranio Moreira: Tenho visto receitas simples: trazer as famílias para dentro da Escola e das experiências que ela promove. Durante a pandemia, ficou muito claro que escolas que já tinham proximidade com as famílias conseguiram atravessar aquele momento de maneira muito mais saudável.
Eu vi escolas criando coisas simples e extremamente poderosas. Abriram o intervalo para as famílias participarem. Pai, avô, tio, todos indo brincar com as crianças.
Vi também escolas oferecendo educação financeira para pais usando o mesmo conteúdo dos alunos. Teve pai que pegou os cartões de crédito e os cortou na frente do professor porque aprendeu onde estava falhando nas finanças e percebeu que o filho estava aprendendo, na Escola, algo que ele nunca tinha aprendido no seu tempo...!
Idelfranio Moreira: Hoje, a gente consegue olhar muito além da nota do aluno. Consegue entender engajamento, comportamento, emocional, relação com professores e disciplinas.
Antes, a gente dizia simplesmente que um aluno dava trabalho ou não dava. Hoje entendemos que tudo é interação. Às vezes, ele funciona super bem com um professor e não com outro.
Isso exige um olhar muito mais refinado. Boas pessoas usando boas ferramentas conseguem personalizar a experiência escolar muito mais.
Idelfranio Moreira: Tem gente que acha que dado e tecnologia tornam a educação fria. Eu penso exatamente o contrário. Quanto mais dados a gente tem, mais a gente entende de pessoas. As informações ajudam a cruzar desempenho, emoção, comportamento e engajamento. Isso permite que a escola apoie melhor cada aluno.
Idelfranio Moreira: Já virou faz tempo. Socioemocional não é só para aluno. É para gente.
Hoje, para entregar o mesmo resultado que a gente entregava antes, o esforço é muito maior. Se eu não entender de pessoas, eu não consigo cumprir minha missão de educar. Antes, eu precisava saber Física, para ser Professor de Física. Hoje, sem um entendimento das diferenças geracionais, sequer consigo entregar o meu propósito!
Idelfranio Moreira: O maior trabalho da liderança hoje é estar disponível para as pessoas da escola. Disponível para os professores, para os alunos e para as famílias.
É no meio das pessoas que os problemas se resolvem e se antecipam. Em outras palavras, escuta - muita escuta. E presença! É o que de melhor podemos ofertar como liderança nesses tempos exponenciais.
Idelfranio Moreira: Eu diria que é uma relação 80 a 20. 80% do foco do coordenador precisa continuar sendo pedagógico. Mas, se ele tem 20% de entendimento sobre orçamento, operação e sustentabilidade da Escola, consegue realizar e entregar muito mais.
Porque pequenas decisões pedagógicas podem gerar impactos enormes no negócio.
Idelfranio Moreira: A escola precisa defender o próprio valor. Hoje mais do que nunca a gente precisa mostrar para as famílias por que a escola é importante. Educação continua sendo o caminho para formar pessoas capazes de pensar, aprender e viver em um mundo complexo.
Promover saúde social, desenvolvimento socioemocional, criar repertório e entendimento de mundo para dar autonomia para o futuro que construírem.