A empregabilidade no ensino superior ganha novo peso em 2026: veja como mudanças na avaliação do Inep, novas competências e conexão com o mercado impactam as faculdades.
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Empregabilidade no ensino superior é a capacidade de a formação preparar o aluno para entrar e crescer no mercado, e as faculdades agora precisam comprovar isso. O mercado quer ver o que o egresso já realizou, e o novo modelo de avaliação in loco do Inep dá peso ao acompanhamento de egressos.
Para quem dirige uma faculdade privada, o desafio é conhecido. A matriz costuma ser herdada e a agenda da gestão gira em torno de captação e regras do MEC. Foi desse ponto que partiu Ryon Braga, presidente do Grupo Educacional Multiversa e secretário executivo da ANACEU, na palestra que fez no Primeira Classe, evento mensal do isaac.
Este artigo organiza as ideias centrais da palestra em cinco perguntas: por que a pressão aumentou, o que o Inep passa a avaliar, o que é um hub de trabalhabilidade, como levar isso à matriz curricular e como dar mais espaço ao sucesso do aluno.
Segundo Ryon Braga, cinco forças empurram as instituições a mudar: as regras do MEC, o mercado de trabalho, as novas gerações, a tecnologia (com destaque para a inteligência artificial generativa) e os avanços da neurociência sobre como se aprende.
No mercado, o recado é direto: o recém-formado precisa demonstrar quais competências desenvolveu e o que já realizou. Na síntese de Ryon, isso significa poder mostrar o que fez, e não só o que estudou, e sair do curso com uma rede de contatos profissional ampla e qualificada.
Ele reforçou o argumento com Laszlo Bock, então vice-presidente de Pessoas do Google, para quem as notas de graduação não servem como critério de contratação. O que a empresa analisava era o histórico de interações do candidato com o mundo real e as competências prioritárias para a vaga.
Do lado dos estudantes, a mudança vai na mesma direção. Ryon citou Paul LeBlanc, presidente da Southern New Hampshire University, para ilustrar a passagem de uma trajetória fixa, centrada no projeto acadêmico e nos docentes, para um caminho flexível, centrado em cada aluno.
O ensino superior privado concentra 79,8% das 10,2 milhões de matrículas do país (dados de 2024).
Fonte: Instituto Semesp, 16º Mapa do Ensino Superior no Brasil (2026).
Na leitura de Ryon, os novos instrumentos de avaliação mudam a forma de a instituição demonstrar qualidade e passam a exigir três coisas: evidências concretas de aprendizagem do estudante, mais interatividade e presencialidade no processo formativo e atenção ao impacto da formação na empregabilidade do egresso.
Segundo a Revista Ensino Superior, o novo processo de avaliação in loco do Inep passa de três para quatro dimensões e tem implantação a partir de 2026, com calendário trienal fixo. Na organização didático-pedagógica, o acompanhamento de egressos aparece entre os mecanismos avaliados.
A nova dimensão de requisitos específicos por área dá peso a estágios, laboratórios e parcerias profissionais, o que aproxima a avaliação da prática profissional. Vale conferir no portal do Inep o cronograma e a versão final dos instrumentos.
Ryon liga isso a uma nova ideia de presencialidade. Em vez de opor presencial e EAD, propõe um programa híbrido com três componentes: o virtual assíncrono, para apreensão do conteúdo; o virtual síncrono, para interação, com discussão de casos e mentorias; e o presencial, para aplicação prática em ambientes profissionais.
Fonte: Revista Ensino Superior, Novo processo de avaliação in loco do Inep (16/12/2025).
É uma faculdade em que o ensino está integrado a ambientes profissionais e o estudante aprende fazendo. Ryon Braga projeta que esse será o modelo da faculdade daqui a dez anos.
O motivo, segundo ele, é que o aluno vai cobrar da instituição competências que sustentem sua empregabilidade ou trabalhabilidade, experiências profissionais autênticas durante o curso e uma rede de contatos que abra caminhos. Soma-se a isso a atuação forte da inteligência artificial generativa no ensino e na aprendizagem.
Na prática, o modelo pede um currículo focado em competências aderentes ao mercado e forte interação com o segmento profissional de cada curso, por meio de núcleos criados em parceria com empresas e organizações. A ideia é trazer os ambientes profissionais para a sala de aula e levar a sala de aula para eles.
Segundo Ryon, o erro mais comum é montar a matriz a partir do corpo docente atual ou tentar apenas melhorar a matriz vigente. Assim, a grade reflete o que a instituição já sabe ensinar, e não o que o mercado da região pede.
O caminho que ele propõe parte de cinco premissas: definir as áreas de atuação e o perfil do profissional que se quer formar, analisar o perfil das vagas existentes na região, considerar tendências do segmento com especialistas e pesquisas de ponta, adequar tudo às Diretrizes Curriculares Nacionais e analisar a matriz de referência do Enade.
Com a matriz definida, o currículo se organiza em quatro etapas: escolher os temas que valem a pena aprender, mapear as competências profissionais a desenvolver, definir as atividades que o aluno realiza para desenvolvê-las e decidir como a competência será avaliada.
As metodologias que sustentam esse desenho incluem aprendizagem baseada em projetos e em desafios, estudo de casos, sala de aula invertida e aprender fazendo, sempre com o objetivo de dar aplicabilidade ao conhecimento.
Como exemplo, Ryon apresentou uma matriz de Gestão de Recursos Humanos com 24 temas, entre eles métodos ágeis, upskilling e reskilling e inteligência artificial na gestão de pessoas, com revisão semestral de temas e competências conforme a demanda do mercado. Fonte: apresentação de Ryon Braga no Primeira Classe.
Ryon defende uma inversão de prioridades. Hoje, segundo ele, cerca de 10% do tempo e das estratégias de uma instituição vão para a realização e o sucesso do aluno, e o ideal seria chegar a 50%, com captação em 40% e a adequação às regras do MEC em 10%.
A hierarquia de prioridades que ele propõe coloca em primeiro lugar o sucesso e a realização do aluno, seguido do sucesso e da satisfação dos colaboradores, da organização e otimização dos processos e, por último, da adequação às normas do MEC.
Para tirar isso do discurso, ele descreve quatro movimentos: controlar a qualidade do que acontece em sala de aula, adotar um modelo pedagógico que desenvolva competências, criar um ecossistema de relacionamento com as organizações do segmento e estruturar um setor de carreira, empregabilidade e empreendedorismo.
Esse foco tem efeito direto na permanência. Cada aluno que segue até a formatura sustenta a receita da instituição e amplia o grupo de egressos que ela pode acompanhar.
A evasão nos cursos presenciais da rede privada foi de 26,6% em 2024.
Fonte: Instituto Semesp, 16º Mapa do Ensino Superior no Brasil (2026).
Quando pagamento, atendimento e permanência ficam em um só painel, a gestão enxerga cedo quem está se afastando. Mais de 68% das instituições parceiras do isaac aumentaram o número de alunos rematriculados em 2025.
A conversa sobre empregabilidade começa antes da formatura, na permanência do aluno. Quem está em risco de se afastar, por questões financeiras ou de relacionamento com a instituição, precisa ser visto cedo pela gestão para que matriz, projetos e parcerias cheguem a quem cursa.
O isaac nasceu unindo tecnologia e acesso a capital para dar estabilidade às instituições de ensino e evoluiu para um ecossistema de gestão, que acompanha a rotina, reduz fricções e sustenta o crescimento com eficiência. Hoje são mais de 3.000 instituições parceiras e 97% de retenção de instituições.
Para o tema deste artigo, três frentes importam: gestão baseada em dados, com painel de pagamentos, atendimento e regularização dos alunos; a experiência das famílias, com aplicativo e atendimento em horário estendido; e a previsibilidade de receita, que ajuda a planejar investimentos em matriz, projetos e parcerias.
Para saber como o isaac apoia faculdades como a sua, acesse: https://isaac.com.br/ensino-superior