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Tecnologia

O maior erro das escolas com IA, segundo Gustavo Bodra

Gustavo Bodra explica por que escolas não devem começar pela ferramenta de IA, mas pelos desafios que impactam a operação, a cultura e a experiência da comunidade escolar.

Publicado em
17/6/26
Atualizado em
17/6/26
04 min
💡 Dica: se a palavra estiver azul, ela é clicável e te leva ao link com mais detalhes!

Existe uma “sensação” que permeia muitas escolas hoje, a de que todas as instituições precisam “fazer alguma coisa com IA” imediatamente.

E no meio disso surge uma pergunta que quase ninguém consegue responder com clareza: por onde começar?

Durante palestra realizada no estande do isaac na Bett Brasil 2026, Gustavo Bodra, especialista com mais de 20 anos de experiência na interseção entre tecnologia, inovação e negócios, falou sobre os desafios da adoção da inteligência artificial na educação.

Para Bodra, o maior risco da IA está no excesso de ferramentas e em decisões tomadas sem clareza estratégica.

A seguir, confira os principais aprendizados. Boa leitura!

O maior erro das escolas é começar pela ferramenta

Segundo Bodra, organizações estão entrando em uma corrida infinita para descobrir qual ferramenta de IA é “a melhor”.

O problema é que isso cria uma espécie de ansiedade tecnológica. Toda semana surge um novo chatbot, uma nova automação ou um novo sistema.

Enquanto isso, as dores reais continuam as mesmas. As planilhas seguem espalhadas, os processos permanecem desconectados e as equipes continuam sobrecarregadas.

Para o especialista, a pergunta correta para iniciar essa discussão talvez seja: “O que hoje consome energia da escola sem gerar valor real?”

Essa mudança de perspectiva altera a discussão sobre IA na educação.

Sem cultura, a tecnologia não anda

Bodra é direto: nenhuma transformação tecnológica acontece sem transformação cultural.

Pessoas não mudam simplesmente porque surgiu uma ferramenta nova. Elas mudam quando entendem o benefício real, sentem segurança e têm autonomia para agir.

É nesse ponto que a liderança escolar precisa atuar.

A equipe já está sobrecarregada. Apresentar IA como mais uma demanda, sem clareza de propósito e sem reduzir outras cargas, tende a gerar resistência, não adoção.

O papel da gestão, portanto, não é empurrar ferramentas. É criar as condições para que as pessoas queiram e consigam mudar. Isso passa por mostrar ganhos concretos, começar pequeno e construir confiança antes de escalar.

Como escolas deveriam começar a usar IA?

  • 1. Mapear tarefas repetitivas: Bodra propõe listar tarefas que consomem tempo sem gerar valor proporcional. Tudo que é mecânico, padronizado e não exige julgamento humano é candidato a ser acelerado ou substituído por automação. Exemplos:
    • organizar planilhas;
    • responder e-mails repetitivos;
    • consolidar relatórios;
    • revisar documentos;
    • gerar apresentações;
    • organizar atendimentos.
  • 2. Automatizar pequenas dores primeiro: O melhor início costuma ser com automações simples que trazem ganho rápido e geram baixo risco. Começar dessa forma gera confiança interna para depois escalar os processos.
  • 3. Liberar tempo humano: A função da IA não é substituir relações humanas, mas devolver tempo para elas. “Tudo que for mecânico provavelmente não é trabalho de humano”, argumenta Bodra.

O futuro da IA nas escolas provavelmente será invisível

Daqui a alguns anos, talvez ninguém mais diga “vamos usar IA”, da mesma forma que hoje ninguém fala “vamos usar internet”.

Segundo Gustavo Bodra, a tecnologia simplesmente fará parte da rotina.

A grande diferença estará nas escolas que aprenderem, desde agora, a reduzir fricções, organizar melhor o trabalho, liberar tempo humano e transformar operação em experiência.

Não porque escolheram a ferramenta certa, mas porque fizeram as perguntas certas.

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