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Finanças

Negócios longevos: lições de Renata Vichi

A partir das experiências de Renata Vichi, ex-CEO da Kopenhagen e fundadora da Brasil Cacau, entenda como construir uma escola longeva, inovadora e reconhecida pelas famílias sem abrir mão de sua identidade.

Publicado em
17/6/26
Atualizado em
17/6/26
04 min
💡 Dica: se a palavra estiver azul, ela é clicável e te leva ao link com mais detalhes!

Toda escola quer crescer e enfrenta pressão constante para inovar. Porém, muitas vezes, as instituições são regidas pelo medo de perder aquilo que as tornou relevantes e afastar as famílias.

O desafio é continuar reconhecível enquanto cresce. Crescer preservando a própria essência é uma das tarefas mais complexas para qualquer organização longeva.

Para Renata Vichi, ex-CEO da Kopenhagen e fundadora da Brasil Cacau, empresas duradouras não sobrevivem porque permanecem iguais, mas porque conseguem inovar sem romper com a própria identidade.

A seguir, confira os principais aprendizados da especialista. Boa leitura!

Crescimento escolar não deveria significar descaracterização

Existe um erro comum quando escolas iniciam processos de transformação: acreditar que evoluir exige romper com o passado.

As famílias não escolhem instituições apenas por estrutura ou metodologia. Elas também escolhem pelo vínculo emocional e pela reputação construída ao longo do tempo. E isso leva anos, muitas vezes décadas, para ser consolidado.

Durante a palestra realizada no estande do isaac, na Bett Brasil 2026, Renata Vichi destacou que tradição não pode servir de justificativa para a inércia. Na Kopenhagen, o princípio que guiou décadas de gestão foi mudar tudo ao redor da marca para não precisar mudar a marca.

Para escolas, a lógica é semelhante. A instituição não precisa abandonar seus valores ou sua história para evoluir. O que precisa avançar é a experiência oferecida à comunidade escolar, preservando a essência que faz a instituição ser reconhecida e valorizada.

“Crescer é importante, mas permanecer relevante é muito mais difícil. Sustentar essa relevância é ainda mais estratégico e, por consequência, mais complexo. Negócios fortes não nascem, eles são construídos”, afirma Renata.

A partir disso, a especialista propõe uma mudança de perspectiva. Em vez de focar apenas em “como crescer?”, é preciso refletir mais sobre “como continuar sendo importante?”.

O que escolas podem aprender com marcas centenárias?

Poucas marcas completam 100 anos. A longevidade é resultado de decisões consistentes tomadas ao longo do tempo.

A Kopenhagen alcançou seu centenário sem abandonar os produtos que a tornaram reconhecida. O que mudou foi tudo ao redor deles: os canais, a experiência de loja, o digital, a linguagem das campanhas, os formatos de relacionamento com o consumidor.

No contexto educacional, o princípio é o mesmo. Inovação não precisa significar trocar toda a metodologia ou reinventar a escola de uma vez. Muitas vezes, as transformações mais sustentáveis acontecem em movimentos graduais, como:

  • Melhorar comunicação com famílias;
  • Modernizar experiências;
  • Integrar tecnologia;
  • Facilitar jornadas;
  • Criar novos formatos de relacionamento.

5 dicas para inovar sem perder a essência

  • 1. Preserve valores inegociáveis: Antes de discutir tecnologia, expansão ou inovação, existe uma pergunta fundamental: quais são os valores que fizeram as famílias escolherem sua escola desde o início? Para algumas instituições, isso está no acolhimento. Para outras, na excelência acadêmica. O problema começa quando a escola tenta modernizar tudo ao mesmo tempo e acaba descaracterizando justamente aquilo que gerava confiança.
  • 2. Inove na experiência: Um dos aprendizados mais valiosos apresentados por Renata é que tradição não é o oposto de inovação. Na prática, grande parte da inovação sustentável acontece na experiência. Para escolas, isso pode significar um atendimento mais ágil, uma jornada de matrícula mais organizada, ambientes mais acolhedores ou uma comunicação mais próxima com as famílias. A essência deve permanecer intacta. O que precisa mudar é a forma como ela é percebida pelas novas gerações.
  • 3. Faça mudanças graduais: Segundo Renata, negócios longevos são construídos por uma sequência de decisões. Muitas lideranças aguardam o “grande projeto de transformação” e, nesse processo, deixam passar pequenas melhorias capazes de gerar impacto imediato. Escolas fortes costumam evoluir refinando processos, fortalecendo a cultura institucional e realizando melhorias ao longo do tempo.
  • 4. Escute as famílias continuamente, não apenas em momentos de crise: As organizações mais relevantes conseguem antecipar necessidades antes que elas se transformem em pressão. Quando uma empresa identifica uma demanda antes mesmo de o cliente percebê-la claramente, ela surpreende. E é justamente nesse momento que a conexão emocional se fortalece. No contexto educacional, isso pode aparecer em sinais como a busca por mais flexibilidade ou maior interesse pelo desenvolvimento socioemocional. Escolas longevas criam rotinas permanentes de escuta com as famílias, em vez de reagirem apenas quando os problemas já se tornaram crises.
  • 5. Fortaleça a cultura institucional: Renata compartilhou uma distinção importante que muitas organizações ignoram. O propósito é o fio condutor, aquilo que une as pessoas em torno de um objetivo comum. Mas é a cultura que direciona as decisões do dia a dia, fortalece comportamentos e protege a identidade da organização enquanto ela cresce. Para escolas, de nada adianta abrir novas unidades, ampliar a operação ou investir em inovação se a cultura começa a enfraquecer no processo. É ela que protege a identidade e sustenta a reputação da instituição no longo prazo.

Uma reflexão sobre presente e futuro: você está construindo a longevidade da sua escola hoje ou apenas esperando que ela aconteça no futuro?

Longevidade não é um destino. É o resultado de escolhas consistentes feitas todos os dias.

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