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Pedagógico

A importância do braille na educação inclusiva

Educação inclusiva é aquela que garante acesso a diversos tipos de alunos. E, em um cenário verdadeiramente democrático, o papel do Braille é muito importante.

Publicado em
11/4/2023
💡 Dica: se a palavra estiver azul, ela é clicável e te leva ao link com mais detalhes!

No dia 8 de abril comemora-se o Dia do Sistema Braille, principal ferramenta de leitura de pessoas com deficiência visual, seja ela parcial ou total. Para marcar a data, explicamos um pouco melhor como funciona este modelo e ressaltamos a sua importância para uma educação inclusiva de verdade.

O que é Braille?

O Sistema Braille, criado por Louis Braille, foi oficializado em 1852 e é um sistema que possibilita que um deficiente visual possa ler e escrever. O sistema é formado por um conjunto de caracteres em relevo que podem ser “lidos” através do tato. 

Sua grande diferença em relação ao sistema Valentin Haüy, anteriormente utilizado por deficientes visuais para a leitura de textos, é que o Braille permite também que o utilizador possa escrever e não apenas ler. Isso porque o Valentin Haüy utilizava livros impressos com grandes letras em relevo, o que limitava o método.

Uma curiosidade é que o Sistema Braille foi disseminado no Brasil por José Álvares de Azevedo, filho do famoso escritor Álvares de Azevedo. José, que nasceu cego, teve contato com o sistema quando estudava em Paris. No retorno ao Brasil passou a dar aulas e palestras sobre o método e foi peça fundamental na criação de uma escola para cegos, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Hoje, o local segue em funcionamento sob o nome Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro. O Dia Nacional do Sistema Braille no Brasil é, inclusive, uma homenagem a José Álvares de Azevedo, sendo celebrado justamente no dia de seu nascimento.

O sistema Braille, ou simplesmente braile, é o mais utilizado no mundo por pessoas com deficiência visual e possui não apenas letras e números, mas também símbolos e pontuações. A sua estrutura é formada por seis pontos verticais divididos em duas colunas de três pontos em cada e possibilita combinações que formam letras, números e símbolos. No total, o sistema possui 64 símbolos quando se considera o espaço não ocupado pelos pontos como um símbolo também.

O Braille compreende, em português, a preservação de características originais das palavras, como a presença de acentos. Para isso, existem no Brasil alguns sinais exclusivos como vogais acentuadas, por exemplo. O sistema também prevê o uso de letras maiúsculas e minúsculas e possui regras para siglas e abreviações.

A leitura do Braille é feita com a ponta dos dedos, da esquerda para a direita, utilizando-se uma ou as duas mãos, de acordo com a maneira como o leitor preferir. 

Já a escrita em Braille pode ser um pouco mais complexa. Isso porque, quando feita a mão, com a ajuda de uma ferramenta pontiaguda, deve ser escrita de forma invertida, pois é feita no verso de onde a leitura será feita. Hoje, no entanto, já existem máquinas de escrita em Braille e também impressoras preparadas para criar materiais com o relevo necessário para a leitura do Braille.

A Educação inclusiva e seus princípios

Falar em educação inclusiva é falar, acima de tudo, em acessibilidade. É promover um ensino democrárico que esteja de fato ao alcance de pessoas com habilidades e dificuldades diferentes, da forma mais equitativa possível. 

Neste conceito, a inclusão nas escolas se dá através do respeito à diversidade e acolhimento de todos os alunos, oferecendo soluções adequadas às suas necessidades específicas. Portanto, a inclusão escolar só ocorre verdadeiramente através de alguma personalização. Engana-se então quem pensa que ser inclusivo é tratar todos os alunos de forma igual. Na realidade, a educação inclusiva prevê a igualdade de oportunidades baseada em um atendimento educacional especializado, ainda que dentro da rede regular de ensino.

No final das contas, a educação inclusiva visa garantir o direito constitucional que todas as pessoas têm à educação. Isso com respeito à individualidade e em um ambiente inclusivo e receptivo.

Os 5 princípios da educação inclusiva

  • Toda pessoa tem o direito de acesso à educação
  • Toda pessoa aprende
  • O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular
  • O convívio no ambiente escolar comum beneficia todos
  • O ensino inclusivo diz respeito a todos

No Brasil, a educação inclusiva tem sido um tema recorrente e com razão. Dados do Censo da Educação Básica de 2020 revelam que o percentual de alunos com deficiência, transtornos do espectro autista ou altas habilidades matriculados em classes comuns tem aumentado em todas as etapas de ensino, chegando a mais de 90% de alunos incluídos em quase todas as etapas. No ensino médio, o valor passa dos 99%. 

No entanto, o mesmo estudo revela uma grande discrepância entre o ensino público e o privado, já que somente 40,9% dos alunos matriculados em regime de educação especial estão inseridos em salas comuns. Um desafio, sim. Mas também uma grande oportunidade para que a rede privada faça da educação inclusiva sua próxima grande meta.

Sistema Braille e educação inclusiva: como os gestores podem ligar estes pontos

Uma vez que a educação inclusiva prevê a busca por soluções que atendam as necessidades de cada indivíduo, não fica difícil entender porque incorporar o uso do Sistema Braille no ensino também é fundamental para uma inclusão mais ampla e verdadeira. Isso porque é enorme a importância do braille para a alfabetização e escolarização de pessoas com deficiência visual que, através do Braille, podem apoiar os seus estudos não apenas no sistema auditivo, mas também no sistema escrito. 

Dispor aos alunos materiais escritos em Braille e treinar professores para serem capazes de receber e corrigir material escrito através deste sistema permite que alunos com deficiência visual tenham mais independência. A possibilidade de ler e escrever não apenas aproxima a vivência dos estudantes com dificuldades visuais da experiência acadêmica daqueles que enxergam, como também gera mais autonomia no processo de aprendizado.

Um gestor antenado sabe como a escola pode auxiliar a saúde mental dos alunos, preocupação presente inclusive na Base Nacional Comum Curricular, desenvolvida pelo Ministério da Educação. Mas ele não pode se esquecer que um aluno jamais vai se estar completamente à vontade se não se sentir, antes de tudo, verdadeiramente incluído no projeto pedagógico da escola. E isso só acontece quando este aluno tem as suas necessidades específicas compreendidas e atendidas pelo planejamento escolar. 

Não é à toa, portanto, que a gestão pedagógica é um pilar essencial da gestão escolar. Afinal, a sua missão é garantir o sucesso dos estudantes através da qualidade do processo de ensino e aprendizagem. E essa qualidade só está garantida mesmo, e de forma democrática, quando ela prevê ferramentas inclusivas, como é o caso do Sistema Braille para os deficientes visuais. 

A questão é que para garantir uma educação inclusiva, o gestor deve ter, ao mesmo tempo, uma visão ampla - que consiga mapear os diferentes tipos de alunos que necessitem de inclusão - mas também uma perspectiva muito aproximada das necessidades específicas de cada caso. Assim como para os deficientes visuais o Braille pode fazer toda a diferença na aprendizagem, outros alunos podem necessitar de outros recursos. 

Adicionar estes instrumentos e acomodar as diferenças pode não ser simples. Mas o benefício para os alunos, que podem se desenvolver estando integrados à sociedade e para todos ao redor, que aprendem a conviver e lidar com a diversidade, vale todo o planejamento e implementação necessários.

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