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Pedagógico

Homeschooling: principais impactos para a Educação

Com o ensino domiciliar, as crianças deixam de frequentar a escola e passam a ser educadas pelas próprias famílias. A medida pode impactar a Educação básica

Publicado em
9/6/22
Atualizado em
24/3/25
08 min
💡 Dica: se a palavra estiver azul, ela é clicável e te leva ao link com mais detalhes!

Foi durante a pandemia da Covid-19, principalmente no período de isolamento social e com a suspensão das aulas presenciais, que o assunto ganhou mais notoriedade na sociedade brasileira.

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Com o ensino remoto, até mesmo quem nunca tinha escutado falar, certamente passou a ouvir com uma certa frequência sobre o homeschooling, também conhecido como ensino domiciliar ou educação domiciliar.

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Nesta modalidade de ensino, as crianças e os adolescentes deixam de frequentar a escola e todo o processo de ensino e aprendizagem passa a ser feito em casa, geralmente pelas próprias famílias.

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Porém, o assunto ganhou mais destaque ainda no último mês de maio, quando no dia 19 a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que autoriza o ensino domiciliar no país.

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Agora, a proposta ainda precisa ser analisada pelo Senado Federal e se o texto for alterado, volta novamente para votação na Câmara. Do contrário, a medida segue para sanção ou veto do Presidente da República.

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Atualmente, a Educação domiciliar não é permitida no Brasil. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os responsáveis legais pelos alunos não têm o direito de tirá-los das instituições de ensino para educar, exclusivamente, em casa. 

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Mas, afinal, quais os impactos do homeschooling para a Educação?

De acordo com a Aned - Associação Nacional de Educação Domiciliar, atualmente 15 mil crianças e adolescentes, com idades entre 4 e 17 anos, estudam em casa, mesmo sem o ensino domiciliar ainda estar regulamentado.

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A estimativa da entidade é que o número de famílias adepta ao homeschooling tenha crescido 55% a cada ano no Brasil. E se o projeto for aprovado, as chances dessa porcentagem aumentar são grandes, o que pode impactar cada vez mais a Educação básica.

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Enquanto a Aned argumenta que a prática possibilita que as famílias ofereçam aos filhos uma educação mais personalizada, o que facilitaria explorar as potencialidades e particularidades de cada criança, especialistas temem quanto ao sucesso do processo de aprendizagem.

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Nas escolas, profissionais formados, especializados e capacitados conseguem garantir o ensino com qualidade aos alunos, desenvolvendo competências e habilidades a partir de técnicas e ferramentas, com base em uma intenção pedagógica.

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Além disso, muito mais do que ensinar a ler, escrever, fazer contas e interpretar textos, as instituições de ensino são um espaço privilegiado para as crianças socializarem com os pares.

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Muitas vezes, é na escola que a criança estabelece suas primeiras relações sociais sem ter vínculo familiar, o que contribui para seu desenvolvimento enquanto cidadão.

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É neste ambiente, rico e acolhedor, que os estudantes têm a oportunidade de construir competências socioemocionais. Para se aprofundar na temática, confira esse artigo sobre as contribuições da BNCC para a educação socioemocional.

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A somatória de todos esses benefícios proporcionados pela Educação escolar são fundamentais para a transformação de uma criança em um adulto, impactando sua vida pessoal e até mesmo profissional.

 

Participação das famílias na vida escolar 

Com o ensino remoto, durante o período em que as escolas precisaram ficar de portas fechadas na tentativa de conter o avanço do coronavírus, as famílias começaram a ter um maior envolvimento nos estudos das crianças, participando das aulas, auxiliando nos estudos e nas atividades escolares.

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Por isso, o termo homeschooling foi bastante difundido nessa época, já que um dos pontos defendidos pelos adeptos ao ensino domiciliar é a participação ativa e atuante da família no processo de educação dos filhos.

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Entretanto, há bastante tempo, antes mesmo da pandemia, as próprias instituições de ensino já reconheciam a importância de ter os responsáveis pelos alunos presentes na vida escolar.

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Inclusive, estudiosos na área afirmam que os estudantes atingem um melhor desempenho no processo de ensino e aprendizagem quando a família está envolvida nas etapas educacionais.

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Manter as crianças matriculadas em uma instituição de ensino não significa estar menos presente. Até mesmo porque a rotina estudantil vai muito além de apenas levar e buscar no colégio.

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Quer saber como melhorar seu envolvimento com o aprendizado do seu filho? Então, confira neste artigo dicas valiosas para impulsionar a participação das famílias na vida escolar.

Como o homeschooling impacta financeiramente a Educação?

O projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados e que será analisado pelo Senado Federal, estabelece que a família que optar pelo ensino domiciliar deve matricular a criança em uma escola, que fica responsável pela manutenção do cadastro, repassando a informação todos os anos aos órgãos competentes de ensino.

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A instituição de ensino também precisa acompanhar o desenvolvimento desse aluno por meio de encontros regulares com as famílias e com o educando.

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Para o ensino público, isso pode significar uma despesa extra, já que será necessário que a escola fiscalize o processo educacional da criança que faz o ensino domiciliar.

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Por outro lado, a regulamentação do homeschooling no Brasil pode impactar diretamente as escolas da rede privada, reduzindo o número de matrículas. 

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Com o fluxo de caixa abaixo do necessário, as instituições de ensino, principalmente as de menor porte, podem ter dificuldade para manter as despesas.

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Como consequência, os professores também podem ser atingidos, caso as escolas precisem reduzir os custos.

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Manter um bom relacionamento com os responsáveis pelos alunos é apontado como uma das melhores formas para superar os momentos de crise. Confira esse conteúdo sobre como fortalecer os laços entre sua escola e as famílias.

 

Homeschooling ao redor do mundo

Antes de existirem as instituições de ensino, tanto no Brasil quanto no mundo todo, o ensino domiciliar era praticado por muitas famílias. As escolas foram se popularizando apenas em meados do século XX.

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Entre as décadas de 1960 e 1970, um professor universitário chamado John Holt começou a defender a desescolarização, marcando o surgimento do homeschooling.

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Então, nos últimos tempos, a educação domiciliar tem ganhado destaque e passou a ser implementada em diversos países, como Estados Unidos, Canadá, França, Espanha, Itália, Suíça, África do Sul, Japão e Austrália.

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